A Batalha Por Lunazul - Parte I - O caos em harmonia

Escrito por Fael Braga | | Posted On sexta-feira, outubro 26, 2012 at 15:06



Minha história começa num dia de Domingo. É fim de tarde. Acabei de revisar os relatórios acumulados durante a semana. Como de costume, me deito em frente à janela. Desde pequeno gosto de observar o céu, quando era criança fazia isso só para saber se estava tudo bem por lá, se não tinha algo caindo – eu realmente acreditava que um dia cairia alguma nave do céu bem encima de mim – com o tempo, contemplar o céu se tornou um hábito, me deixava relaxado, sempre gostei do fim de tarde em Júpiter-II. Reclinei-me na poltrona, aumentei levemente o volume da música. Minha mente já estava longe... Eis que minha paz acaba:
– Victor! Você ta aí cara? Abre isso logo cara. – As batidas de Bernard na porta da minha cabine eram como um terremoto destruindo meu pôr-do-sol. – Victor!?
– Só um minuto, já vou! – De nada adiantaria me recusar, ele continuaria ali.
Toquei na holografia diante de mim e a música foi substituída pela ríspida voz sintética: - 'Holografia desativada'. – lentamente o cenário do lado de fora voltava ao habitual, não que eu não goste do espaço, das estrelas, mas quando isso é tudo que você vê durante cinco meses... Abri a porta.

As quatro tribos Laowhutt

Escrito por Fael Braga | | Posted On segunda-feira, outubro 15, 2012 at 17:34

    

    Faltava pouco para o fim da tarde. O riacho derramava sua água sobre os pés de Ihhuá. Imóvel, o caçador da tribo Uerr´g mantinha os olhos fixos na água corrente e sua lança erguida em posição de ataque. Embora não fosse possível identificar qualquer movimento além de uma suave respiração, cada músculo de seu corpo estava preparado para atacar assim que necessário.
    
     Alguns metros a frente, Peuhh´i, seu irmão mais novo, acabara de açoitar a água com uma longa vara, espantando os peixes em sua direção. Ihhuá  esperou alguns segundos, sabia que a parceria com o irmão não falhava e, ao contrário dos outros caçadores, mesmo naqueles dias de escassez poderia voltar para a tribo com uma boa quantidade de pescado. Ihhuá sentiu a aproximação dos peixes wunaji, seu nado produzia um som característico e não demorou até avistar o cardume se aproximando. Iludidos pela segurança que envolvia o astuto índio, os peixes dançavam por entre seus pés. Quando por fim já havia analisado o maior peixe e se preparava para acertá-lo com a lança, ouviu então um gorjeio agudo que reconheceu de pronto como vindo de um bando de pássaros jouw´j. Ihhuá olhou para o céu e vislumbrou a rara passagem com estranheza, afinal não havia muitas luas, os pássaros haviam atravessado o território Uerr´g e muitas outras restavam até sua migração, além do mais, aquela não era a direção correta.